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Devolvam-nos a Serra!

A Serra da Boa Viagem, juntamente com mar e rio, engloba o triângulo mágico que a excelentíssima natureza decidiu retirar da sua cartola de truques, preenchendo um cenário absolutamente ímpar sobre a costa portuguesa.

Todo o destaque que possa merecer da nossa parte será sempre escasso: nunca haverá espaço suficiente para homenagear tão belo pedaço de terra. Através da publicação “Arborização da Serra da Boa Viagem (subsídios para a sua história) 1911-1924”, de Manoel Alberto Rei, partimos à descoberta da história da serra como espaço verde.

Deparámos-nos com um homem que, graças à sua sabedoria, visão e persistência, desenhou e pintou de traço sublime o que antes não passava de “uma montanha árida e pedregosa”. Percebemos que a sua obra deverá ser respeitada, homenageada, cuidada, preservada, eternizada. Fomos tentar compreender o que é hoje a Serra da Boa Viagem, depois de todas as intempéries que sofreu ao longo dos anos, dos incêndios de 1993 e 2005, às tempestades de 2013 e 2018. Falámos com quem conhece a serra, respira a serra, vive a serra, e que nos deixaram valiosos testemunhos do hoje e do amanhã. Tentámos perceber, sem sucesso, a razão ou razões pelas quais é tão difícil empreender com a celeridade que se exige, projectos que visem capacitar a serra das valências que um espaço desta grandiosidade exige, desde a mais simples sinalética até ao mais complexo troço de enduro.

A Serra da Boa Viagem não deverá, desta forma, continuar a ser gerida pelo ICNF numa vertente mais economicista que ambiental. Exige-se mais abertura, mais transparência e uma visão muito mais prática. Concluímos que está na altura de seguir exemplos de sucesso de outras regiões. Sem entraves, sem desculpas e sem burocracias. Em memória de Manoel Alberto Rei e por respeito às gerações vindouras, que marquemos o início da limpeza que se exige neste pós-Leslie como o primeiro passo para uma Serra da Boa Viagem de todos e para todos.

Editorial de O Palhinhas #53

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