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Um mundo ou a descoberta de um mundo

Entramos no porto de pesca. De carro. Dentro da cabine, um homem. De aspecto pesado, dando ares de corpo de pedra. Uma estátua. Acena com a cabeça, e este movimento permite a entrada no lugar. Ao volante, segue-se em frente. Ao fundo, um ancoradouro. Barcos de pesca. Redes. O caminho é o seguinte: vira-se à direita. E logo depois à esquerda. Um grande espaço, largo, onde estacionam gaivotas. Disputam cabeças de peixe. Alimentam-se.

É preciso sair da cidade para entrar na cidade. O espanto de ver, por fim, o porto de pesca. Espaço milagroso de actividade económica. No primeiro dia da visita não havia lota. O vento era muito e os barcos não trabalharam. Tivemos uma aula na Docapesca. Uma conversa longa sobre a venda do peixe e assuntos relacionados com a pescaria.


É um voo de gaivota este assunto. Se fechar os olhos com força consigo imaginar uma gaivota a voar.

A Pesca: actividade económica primordial nesta cidade. Trabalho e vida de centenas largas de pessoas. Pescadores, armadores, armazenistas, comerciantes, vendedores, donos de restaurantes, trabalhadores da Docapesca, professores, alunos. Um mundo, ou a descoberta de um mundo.

No segundo dia já havia venda. Barcos. Pessoas. Bancada de espectadores, que parecia a de um jogo de basquete. As gaivotas anunciam a chegada do peixe, voando em festa, rodeando as traineiras que se aproximam do cais. É tremendamente bela esta visão do trabalho.
Lá dentro, dezenas de pessoas de comandos na mão. A lota vai começar. Licita-se peixe, diamante do mar.

ANA BISCAIA

One Comment

  1. Jorge Lemos Jorge Lemos Junho 25, 2019

    Excelente texto, que nos prende à leitura e nos transporta a essa doca, a esse mundo que visitaste.
    Ao longo do scroll, sente-se o cheiro a peixe. A maresia. Ouvem-se gaivotas.
    Parabéns, Ana.

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