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Editorial #55

A 3 de Junho, no primeiro dia do ano com captura de sardinha, uma embarcação de Sesimbra capturou a respectiva quota máxima diária (159 cabazes de 20 kg). Cada cabaz de 20 kg foi leiloado e vendido na lota de Sesimbra a 16,00€, o que representa 80 cêntimos o quilo. No dia seguinte, nas grandes superfícies comerciais de Sesimbra, a sardinha foi vendida a 5,99€ o quilo.

A falta de regulação na discrepância de valores entre o preço que o pescador vende e o preço que o consumidor final compra é apenas um dos problemas que a indústria da pesca vive nos dias de hoje. O Palhinhas andou uma semana a navegar pelas instalações da Docapesca, a empresa de capital público que gere a entrada e saída do pescado no porto de pesca da Figueira da Foz. Encontrámos um mundo muito vivo e activo, pela mão simpática e sempre prestável do responsável de armazém. Um mundo de grande azáfama em dia de pesca e de enorme silêncio em dias em que as embarcações não saem para o mar, ou por más condições atmosféricas ou por inavegabilidade na barra – um problema que impede o normal funcionamento do mercado do pescado na Figueira da Foz durante demasiados dias por ano, e com implicações directas no bolso dos pescadores, armadores, armazenistas e, claro, na economia do concelho.


Se os pescadores se queixam das duras condições do seu trabalho, tão pouco valorizado, os compradores reclamam do tratamento desigual face a contratos mais ou menos obscuros, e os armazenistas implicam com o elevado preço de aluguer dos armazéns, que atingem preços proibitivos em virtude de um desajustado PDM, enquanto o consumidor final se espanta com o preço a pagar por quilo de pescado, fruto de todos aqueles factores, levando a uma economia de preços desproporcionada, que obriga as famílias a optar por uma alimentação mais afastada do peixe. Uma verdadeira pescadinha de rabo na boca.

PEDRO SILVA

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